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Meio cansado das discussões religiosas e ateístas na internet e acompanhando por um bom tempo (um bom tempo mesmo) toda esta bagunça, cheguei a certas conclusões que hoje gostaria de compartilhar com vocês.

Mas antes quero deixar claro que esta é uma opinião pessoal, não expressa por tanto uma verdade única, cabe a cada um julgar de acordo com seus conhecimentos e razão. Também gostaria de deixar claro que esta matéria não é tendenciosa, que não faço apologias contra ou a favor de ninguém e a nenhum grupo, filosofia ou crença, apenas quero deixar aqui registrado o que eu penso de tudo isso. Nada a mais!

De um lado vemos grupos religiosos, não só os grupos cristãos, porém estes são os mais evidentes. Do outro vemos ateus e agnósticos, como em um campo de batalha, um atirando contra o outro um carretel de ofensas.

Os grupos cristãos estão divididos entre a igreja católica, a romana e a ortodoxa, e mais o grupo protestante que é dividido em milhares de denominações (e eu não entendo realmente o porquê disto).

Todos os grupos religiosos estão disputando “quem é o dono da verdade”, numa briga secular.

Porém nos últimos anos as religiões se tornaram um negócio rentável, o que aumentou ainda mais a disputa entre denominações e religiões.

Pegando apenas o nicho cristão, que é o que eu conheço por fazer parte de maior abrangência na cultura brasileira, as denominações e religiões que já brigavam entre si deram de encontro com um outro grupo, também ramificado e dividido em grupos, os ateus.

Os ateus, cansados das discussões religiosas ainda mais com o advento da internet e das redes sociais, começaram a se manifestar, a princípio de forma bem menos agressiva mas não menos intolerante.

Eram poucos que se denominavam ateus.

Hoje o ateísmo de ramificou e surgiram os agnósticos, ou ressurgiram. Existe uma diferença entre os dois que deve ser explicada:

Ateu ou ateísmo é uma palavra de origem grega, criada pela igreja católica na época da inquisição que significa “aquele que nega a Deus”, hoje mais abrangente que na época e creio que mais correta, é a “negação de Divindades” .

Já o agnóstico é aquele que alegam a “impossibilidade de provar a existência de Deus ou não”. Dando margem que não acreditam pelo simples fato de não ser possível provar.

Nesta guerra entre as religiões e os ateus e agnósticos, muitos estão confundindo os papeis, tem ateu se dizendo agnóstico, talvez a resposta para este erro esteja que a palavra da moda é agnóstico e por outro lado tem muito agnóstico se dizendo ateu, porém até que se provem ou não a existência de Deus os agnósticos são de certa forma ateus.

Mas nesta briga estranha, os ateus utilizam de nomes de pessoas famosas já falecidas que não podem justificar seus pensamentos, como Carl Sagan, por exemplo, que nunca se denominou um ateu, mas ele se definia da seguinte forma:

“Eu não posso acreditar em Deus porque não se pode provar sua existência, porém tampouco pode-se provar a sua inexistência” – agnóstico. Mas ele se definia também uma pessoa espiritualmente aberta e que poderia alterar sua forma de pensar e acreditar.

O mesmo acontece com outros grandes nomes principalmente da área científica.

A mesma coisa podemos ver de um religioso, muitos não creem na existência de Deus e mesmo assim se definem como religiosos.

Uma vez fiz esta pergunta para alguns religiosos, se acreditavam realmente na existência de Deus, algumas das respostas foram interessantes:

“Eu acredito em Deus, mas não como a religião ensina…”

“Eu sou um homem/mulher de fé, mas não sou praticante…”

“Eu acredito em uma energia e não em uma entidade ou personalidade como Deus…”

“Só vou a igreja porque se Deus existir, pelo menos faço a minha parte, se não existir, não tenho nada a perder!”

Então me pergunto, se é religioso e não pratica, se acredita em Deus mas não como a religião ensina, se tem fé mas não é praticante e se faz a sua parte só por segurança, então não é religioso?

E a última das respostas é ainda mais reveladora, se vai a igreja, reza/ora só para fazer a parte caso Deus exista, é a mesma coisa que ser agnóstico, apenas visto de um ângulo diferente.

Agora sobre esta guerra. Enquanto os ateus atacam os religiosos e os religiosos aos ateus, estes não percebem um fato simples, os religiosos não vão deixar de serem religiosos só pelo argumento e os ateus não vão temer ir para o inferno nem as maldições enviadas a eles, porque simplesmente não acreditam nisto.

Isto é apenas para ilustrar como andam as coisas.

image Mas o fato real da situação, é que o religioso tem sido atacado pelo que acredita de uma forma ignorantemente pelos ateus e a justificativa acaba sendo mais absurda ainda. Vemos utilizando por exemplo, que é por causa de uma pessoa que foi morta por motivos religiosos, ou por causa de guerras travadas em nome de Deus. De pessoas que são forçadas a casarem novas demais por causa da crença. De mulheres que são abandonadas por ignorância religiosa como no Afeganistão, ou pessoas serem executadas por cometerem certos pecados ou por serem de outra religião ou ainda, pessoas, grupos, cidades e nações serem massacradas por sua crença religiosa. ISSO É ABSURDO! Não se deve usar destas coisas para atacarem os religiosos e é fato!

Mas usarem isso para refutar um líder religioso, atacar os “manda chuvas” das grandes religiões, aí sim é valido.

Porque ninguém vai mudar a cabeça de um seguidor, ele segue o que seu líder diz ser certo, seja por medo, por crença ou por qualquer coisa. Imagine se o líder religioso de certos lugares no mundo dizerem aos seus seguidores que não é “pecado” ter outra religião que o pecado está em tirar uma vida, a ótica das coisas mudam.

O problema das religiões não estão em seus seguidores, mas em seus líderes.

Um argumento também utilizado é que as religiões exploram os “coitados”, concordo, mas isso vai sanar chamando um religioso de ignorante, burro ou idiota? É claro que não. Ele vai continuar da mesma forma.

E se seu líder religioso entregasse a informação que o dizimo ou ofertas ou doações para fins religiosos não são obrigações e de preferência que se foram doar doem em alimentos para os necessitados e não em dinheiro, esta prática continuaria?

É claro que não. E as denominações sumiriam lentamente porque não haveria sustentabilidade.

Então se realmente querem os ateus acabar com a exploração ou como alguns também dizem, “encheção de saco”, protestem contra os líderes religiosos e apelem para o governo também. Que pelo menos as igrejas paguem seus impostos como qualquer outra empresa, que elas tenham regulamentos firmados em lei que limitam o “poder” nada divino de seus líderes.

Como existe a lei de Livre expressão de culto religioso e que é uma lei inviolável em nossa Constituição, também existem outras leis. Um direto só vai até onde começa outro direito. Se o culto religioso que é protegido pela Constituição estiver causando desordem, incomodo, preconceito, incitação ou apologias que firam os direitos de outros cidadãos, estes estão em pleno direito de exigir reparação legítima. Mesmo se o barulho for incomodo, existe leis contra isso também. Então, seja esperto, mandar mensagem atacando um religioso não vai adiantar e somente aumente o ódio que é por sinal um outro fator.

Agora para você religioso, que ataca da mesma forma os ateus. Caso você seja realmente um religioso, que acredita ser um cumpridor das leis divinas e preceitos religiosos, então não deve proceder de forma que se mostre ao contrário do que você diz ser.

Na Bíblia, diz-se para ser tolerante, amar teu próximo e dar a outra face. Se for tolerante, não xingará, nem amaldiçoará o teu próximo, se realmente acredita que o ateu seja um necessitado, mesmo que de iluminação e fé, porque está escrito: “deseje para teu próximo somente o que desejares a você mesmo”. Isso porque a maldição que lançar contra teu próximo voltará a ti, conforme está nas escrituras sagradas.

Se não der a outra face, como poderá justificar seu amor ao próximo? É como Paulo diz em sua carta aos Corintios: “se não tiver amor, de nada valeria”.

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Então partindo do pressuposto que as escrituras estejam corretas e são verdadeiras, se desta forma você agir, não tem salvação não, estará condenado ao inferno, que, como diz Lobsang Rampa, está cheio de equivocados sinceros.

Se não aceitar a fé das outras pessoas, as crenças diferentes, a falta de fé e que as pessoas não são perfeitas, não estará seguindo as leis prescritas na escritura nem praticando segundo Jesus como deve ser.

O fato é que tudo não passa de faces diferentes de uma mesma moeda, é tudo religião, mesmo que sua religião seja não acreditar em nada e estas agora não são palavras minhas mas de um Ateu amigo meu (rimou).

“Um ateu de verdade não perde tempo discutindo ou brigando com religiosos, na minha opinião os dois são iguais e estão atolados na mesma lama. Se chamarem um religioso de ignorante é tão ignorante quanto, porque aquele que não crê em nada não precisa provar que não crê, nem provar que o outro que crê está errado, Isso é o mesmo que fazem o religiosos, somente de uma perspectiva diferente. Ser ateu de verdade é como ser um religioso de verdade, porque o religioso de verdade crê e pratica de acordo com sua fé, sem alarde porque não tem a necessidade de se mostrar religioso só para os outros vejam. E o ateu não segue a nada e por isso não precisa provar nada, nem provocar, nem nada. Ele apenas fica em seu lugar vivendo a vida, não incomodando para não ser incomodado.”

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Ateus X Religiosos

4 opiniões sobre “Ateus X Religiosos

  • Sou ateu desde que estudei todas as religiões e as suas origens, e desde que comecei a pensar por mim próprio, com muito orgulho.
    Até agora ainda ninguém me provou que Deus existe, e o ónus da prova cabe aos teístas..
    Mas Deus não existe, nem é preciso para nada, e porquê?
    O homem é fruto de uma evolução que começou há cerca de 7 milhões de anos (Mas a evolução vem de muito mais longe, há cerca de 3,8 mil milhões de anos – tendo sido aí que começou a evolução de todos os seres viventes, até chegar ao homem).
    Esta evolução durou milhões de anos, até que há cerca de 300 mil anos o homem evoluiu para formas mais modernas e há cerca de 50 mil anos evoluiu finalmente para o que conhecemos hoje.
    O homem criou Deuses ao longo do tempo para responder a medos e superstições. A origem da crença religiosa nos nossos ancestrais evolutivos distantes que viviam em cavernas é decorrente do medo das forças ruidosas e assustadoras da Natureza (como o vulcão, trovão, terramotos, relâmpagos, enchentes etc.), e como modo de espantá-las e apaziguá-las, surgiram os cultos que lentamente se transformaram em religiões, com suas variadas cerimónias, que se tornaram cada vez mais complexas e sofisticadas como as denominações da actualidade.
    Deus, com as características que hoje lhe atribuímos só foi inventado, imaginado, criado pelo homem há pouco mais de 3 mil anos.

    E NOS MILHARES E MILHÕES DE ANOS QUE ANTECEDERAM ONDE ESTAVA DEUS? Em lado nenhum, porque ainda não tinha sido inventado pelo homem.

    Tudo o que disse é muito resumido, mas para mim é mais que evidente que a ideia de deus é absurda.

    Por causa de deus, ou melhor, a história de Deus tem sido palco de lutas e tensões atrozes. Os profetas de Israel sentiam o seu Deus como uma dor física que lhes retorcia violentamente cada membro e os enchia de raiva e júbilo. Lemos sobre cimos de montanhas, trevas, desolação e terror. Como disse acima, o Antigo Testamento, principalmente no Deuteronómio, retrata quase só guerras sangrentas, ordenadas, segundo a Bíblia, por Deus. Mas ao longo dos tempos podemos falar das guerras para impor a religião ao ocidente, as guerras das cruzadas, a Inquisição, a época da «caça às bruxas», as guerras para dizimar populações inteiras de Cátaros ou Albigenses, de Maniqueístas, as guerras francesas, a guerra dos trinta anos, o conflito da Irlanda do Norte, etc. No Islão vemos o conceito de Jihad ou “guerra santa”, este conceito tem sido usado para descrever a guerra contra os infiéis na expansão e defesa do território islâmico. Esta lista não é de forma alguma exaustiva. Estas ordenadas por homens, mas por causa de Deus.

    Como refere Justin Brown: “Se a bíblia está errada ao nos dizer de onde viemos, como podemos confiar nela ao dizer para onde iremos?”
    E como disse Bruce Calvert: “Há mais crentes que pensadores, porque é mais fácil acreditar do que pensar”. Por isso há tantos crentes.
    Não me vou alongar mais. Só direi o seguinte: Se Deus existisse mesmo, sem sombra de dúvidas, dadas as qualidades que lhe imputam “Omnisciência, Omnipresença, Omnipotência, além de outras mais”, e, sabendo que existem milhares de religiões no mundo, sabendo que há muito boa gente que põe em causa a sua existência, ele deveria aparecer e dizer: quem disse que eu não existo, aqui estou, isto é, devia dar-se a conhecer de facto, e na realidade, sem sombra de dúvidas. Isso é que era de mestre, acabava com todas as dúvidas.

    Mas é óbvio que tal não acontece. Logo, Não Existe.
    Tudo o resto que digam são tretas.

    1. Ok!
      Mas pelo que percebi, vc não é ateu e sim descontente e se realmente for ateu, é um ateu descontente.
      Mas seu ponto de vista ta certo e realmente não há provas da existência ainda mais de uma existência mítica de uma entidade criadora e poderosa. E nem poderia existir.
      Colocando Deus ou Deuses desta maneira, como poderia ser provado um dia? Se fosse provado ele deixaria de ser o que é.
      Como eu jamais cri em um ser mítico, não tenho que me preocupar com sua existência ou não.
      Poderia citar inúmeros pensadores, como vc fez, poderia citar aqui Carl Sagan e Einstein que não faria a menor diferença.
      A Ciência não quer desmitificar ou provar a existência de Deus, homens querem isso. A Religião não quer encapetar a ciência, homens querem isto.
      Então volta a minha postagem, que tudo isto de Ateus e Religiosos, ou crentes como vc citou, é só uma questão humana e nada mais.
      Abraços

      1. Está muito enganado. Não sou um Ateu descontente, antes pelo contrário. Se Deus não é um ser mítico então o que é? Não é nada. Logo, não pode existir.
        Assim, concordo com você… Não pode existir.
        Einstein não acreditava em Deus e Carl Sagan era agnóstico.
        Diz ele: “ Um ateu é alguém que tem certeza de que Deus não existe, alguém que tem evidências convincentes contra a existência de Deus. Eu não conheço uma evidência assim convincente. Como Deus pode ser relegado a tempos e locais remotos e a causas últimas, teríamos que saber muito mais sobre o universo do que sabemos agora para ter certeza de que Deus não existe. Ter certeza da existência de Deus e ter a certeza da não existência de Deus parece-me serem os extremos muito confiantes em um assunto tão cheio de dúvida e incerteza a ponto de inspirar, na verdade, muito pouca confiança.”
        Ele próprio se confessa agnóstico quando diz: “Eu não sou um ateu. Um ateu é alguém que tem evidências atraentes de que não há um Deus judeu-cristão-islâmico. Eu não sou tão sábio, mas tampouco considero haver qualquer coisa próxima de uma evidência adequada para tal deus. Por que vocês têm tanta pressa em se decidir? Por que não simplesmente esperar até que haja evidências atraentes?”
        Mas se ainda fosse vivo caminharia para o ateísmo.
        Claro que a ciência não quer provar a existência de Deus. Até agora não provou. Nem pode …… se ele não existe. Mas se existisse .. provava.
        A não-existência é que não se pode provar.
        Por isso se diz que os teístas é que têm o ónus da prova da existência de Deus.
        A religião não quer encapetar a ciência? Ai não? — Por isso é que queimou, perseguiu e torturou homens da ciência só porque diziam verdades que iam contra os seus dogmas: Giordano Bruno, Copérnico, Kepler, Descartes, Galileu, etc, (e tantos outros).
        Mas, tem o seu ponto de vista. Nada posso fazer, nem quero.
        Apenas mostrei que Deus foi criado, inventado pelo homem, nada mais. E isso é por demais evidente.

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